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CADEIRA 55

CORA CORALINA

Nasceu, em 20 de agosto de 1889, Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (Cora Coralina). Teve quatro filhos, 15 netos e 29 bisnetos. Passou a maior parte de sua vida na casa velha da ponte, na cidade Goiás. Residiu também no interior de São Paulo.

Começou a escrever quando tinha 14 anos e era apenas uma tímida menina. Não começou a escrever poesia, mas com prosa. Só passou a fazer poesia depois que ela se libertou da rima e da métrica. Na verdade, Cora Coralina teve que enfrentar a oposição da família para fazer literatura, que era o que mais a realizava.

Acompanhada pelo marido Cantídio Tolentino de Figueiredo Bretas, deixou Goiás e foi morar no interior de São Paulo em 1911. Nesse período é que publicou seus primeiros versos. Durante meses percorreu muitas editoras para publicar o livro “Poemas dos Becos de Goiás”, recebendo sempre muitos “não”. Foi a editora José Olympio que publicou o livro, que, uma vez nas bancas e livrarias, despertou o interesse dos críticos que se sensibilizaram com a força telúrica de sua poesia. Carlos Drumond de Andrade também escrevia mais tarde uma crônica no jornal do Brasil considerando-a “a pessoa mais importante de Goiás”

Após viver 45 anos no interior de São Paulo, voltou para Goiás Velho. Já viúva, mãe de quatro filhos, redescobre a si mesma nos mais antigos e enraizados sonhos. Surge o reencontro de Ana com Ana, a Cora Coralina com a sua verdadeira vocação para poesia, seu primeiro livro foi reeditado seguindo os livros “Meu Livro de Cordel”, “Vintém de Cobre” e “Meias confissões de Aninha”. Bem depois dos 65 anos de Cora Coralina receberia as mais expressivas homenagens e premiações, incluindo o troféu Juca Pato, conferido pela União Brasileira dos Escritores-São Paulo. Recebeu também o troféu de “Símbolo da Mulher Rural Trabalhadora” de 1984, láurea instituída de FAO e o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal de Goiás.

O que surpreendeu quando da disputa do troféu Juca Pato foi o fato de Cora Coralina receber 400 votos de todo o país, sem sair de Goiás e sem pedir nenhum voto a ninguém. O poeta Paulo Bonfim, que a saudou na entrega do prêmio, dedicou-lhe estes versos: “Cora coragem, Cora paixão, Cora mulher da inquietação, da ternura Coralina, dos goianos Coralina, de Goyases Coralina, de Cora Coralina é verbo que se fez verso, Dá-me um punhado de terra, Bênção, Cora!.”

Seu nome foi incluído entre mulheres do ano 1980 das letras nacionais. Ficou conhecida pelas frases carregadas de densidade poética e verdade humana. Uma frase que marca o que ela foi e que representou é “Eu sou a mulher mais antiga do mundo. Eu sou a terra”.

Morre aos 95 anos de idade em 1985, no dia 11 de abril no Centro de Terapia Intensiva do Hospital São Salvador, acometida de uma complicação respiratória resultante de uma gripe.

Morreu então a mulher dos olhos tristes, mas que viveu e conviveu mais que o seu tempo.

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