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Academia de Letras, Cultura e Artes do Centro-Oeste
A L C A R T E S

Fundada em 15 de setembro de 1987
CADEIRA 33
LEO LYNCE

Nasceu o dr. Cyllenêo de Araújo (Leo Lynce) em Piracanjuba, a 29 de julho de 1884, numa casa que, ainda há bem pouco tempo, existia no Largo da Matriz e faleceu a 7 de julho de 1954, com 70 anos de idade.
Seus pais internaram-no no Seminário de Goiás aos 10 anos, para fazê-lo padre, o que não aconteceu. Da linha materna deve ter-lhe vindo a vocação literária. Sua genitora, dona Eponina Marques, sabia de cor trechos de clássicos franceses e de alguns dos nossos maiores poetas do século XIX. Foi ela quem lhe ensinou as primeiras letras. Transferido, em 1986, o Seminário com o Bispo Dom Eduardo, da velha capital goiana para Uberaba, acompanhou-os Leo Lynce até Bela Vista de Goiás, onde já então residia sua família e, ali ficou empregando-se no comércio e continuando, ao mesmo tempo, os estudos com seu avô materno Francisco J. Marques, conhecido como uma das mais respeitáveis culturas humanísticas de Goiás, naqueles recuados tempos.
Em 1900, já com 16 anos, e ainda empregado de balcão, iniciou a publicação de um jornalzinho, “O Fanal”, manuscrito (desenhado), com pretensões literárias. Escrevia ainda correspondências para os jornais do Triângulo Mineiro “Araguari” e “Lavoura e Comércio”. Datam daquele ano seus primeiros versos.
O mesmo jornalzinho passou a ser impresso na tipografia da “Folha do Sul”, m 1906, como órgão do Grêmio Instrutivo que fundou com um grupo de rapazes ávidos de conhecimentos. O trabalho tipográfico era irrepreensível e os editoriais eram lançados em linguagem elegante e policiada. Figura, no cabeçalho, o nome de Leo Lynce como redator e de seu irmão Egesilêo de Araújo como gerente. José Lobo e o gaúcho Leonel Macedo eram os tipógrafos e também os colaboradores de ambos os jornais.
Foi por essa época que o biografado simplificou o extenso nome para Cillinêo de Araújo e adotou o anagrama Leo Lynce como pseudônimo literário. Usou ainda os pseudônimos João da Serra e Antônio Só.
Em 1906, Cillenêo estabeleceu-se com farmácia, estendendo ainda suas atividades ao comércio de tecido e ferragens, associado ao seu irmão Egesilêo. Escreveu por essa época a comédia “O Poeta” e a alegoria “Trevas e Luz” as quais foram levadas à cena em Bela Vista. Nomeado em 1903 juiz municipal, exerceu interinamente o cargo então vago de Juiz de Direito da referida e vastíssima comarca, tendo no ano seguinte presidido os trabalhos de demarcação das fazendas Botafogo e Capim Puba, entre outras, em cujos terrenos, 30 anos depois surgiria Goiânia.
Casado em 1907, enviuvou no ano seguinte, ficando-lhe uma filha. Em 1908 foi eleito deputado estadual. A revolução triunfante de 1909 sacudiu para fora do Estado vários goianos ilustres, tais como: Alves de Castro, Vicente de Abreu, Luiz Xavier de Almeida, Constância Gomes. Leo Lynce, envolvido no episódio, mudou-se para o Rio de Janeiro e para Uberaba, sendo aí nomeado professor primário no Grupo Escolar.
Continuou a escrever para o “Lavoura e Comércio”, Além de dirigir por algum tempo “A Gazeta”. Retornou a Goiás em 1911 e depois se mudou para Jataí onde trabalhou como guarda-livros na firma Irmãos Coimbra. Retorna à velha Goiás em 1913 onde trabalha como funcionário federal da Inspetoria Agrícola. No ano seguinte, é eleito deputado estadual com mandato renovado durante 12 anos. Participou neste espaço de tempo de vários jornais como colaborador e como diretor. Em 1915, mediante exame perante o Tribunal de Justiça, obteve carta de advogado provisionado. Casou-se então pela segunda vez. Encampou a luta pela criação da Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais, matriculando-se como aluno.
Em 1922, empolgado pelo movimento Semana da Arte Moderna, lançou os primeiros versos revolucionários. Formou-se advogado em 1925 e exerceu a profissão em diversas cidades do Estado, enquanto, paralelamente, escrevia ininterruptamente para os jornais da capital e outras cidades.
Em 1928 publicou o livro “Ontem”. Foi recebido entusiasticamente pela crítica dos grandes centros, incluindo Portugal. Em 1943 mudou residência para Goiânia, afim de completar os estudos dos filhos. Continuou escrevendo e dirigindo jornais paralelamente à administração da sua fazenda. Membro da Academia Goiana de Letras foi seu vice-presidente por duas vezes. Foi também professor da Faculdade de Direito de Goiás, sendo alvo das maiores consagrações de vida.
Modesto e retraído, ao transpor os 70 anos, sem quebra do vigor de espírito que caracterizou sua vida, morreu como viveu os últimos anos pra o lar e para os livros.
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