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Academia de Letras, Cultura e Artes do Centro-Oeste
A L C A R T E S

Fundada em 15 de setembro de 1987
CADEIRA 48
MADRE MARTA CERUTTI

Nasceu no dia 10-11-1895 em Ferno (Veneza), na Itália. Filha de uma família modesta, Domingos Cerutti e Antonio Caravalli. Seus pais viviam do cultivo de suas próprias terras. Martinha, como a chamavam, se apresentava inteligente, esperta e tinha muita liderança. Ainda adolescente, teve que deixar a própria casa, como faziam algumas jovens do lugar, à procura de trabalho. Passou a morar em um pensionato em Omegna e trabalhava em uma fábrica de tecidos. O teatrinho, o canto e os bordados a atraiam e representava seus papéis no palco com muita graça e capacidade.
Nas férias sempre visitava os pais e, sempre que partia para o pensionato, deixava um grande vazio na vila. Em 2 de agosto de 1906, foi admitida como postulante na casa de Nossa Senhora em Nizza Monferrato, entre as filhas de Maria Auxiliadora. Em 6 de setembro de 1909, fez sua profissão religiosa indo para Milão, para trabalhar numa escola maternal. Logo em seguida, foi aceito o seu insistente pedido de trabalhar em longínquas missões e, no 29-10-09, partiu para o Brasil, aportando no Rio de Janeiro, em 15 de novembro. De lá, viajou para São Paulo trabalhando como roupeira até aprender a nova língua, indo em seguida a Niterói, onde continuaria cuidando da rouparia e cozinha do Colégio dos Salesianos, centro missionário.
Madre Marta elegeu o Mato Grosso como berço esplêndido de seu apostolado e aqui chegou em 1918, dirigindo-se a Palmeiras, a 100km de Cuiabá. Assume a direção da casa que tem como atividades o atendimento aos bororos da região e aos habitantes das redondezas.
Foi exemplo de espírito de sacrifício, amor à pobreza e muita bondade.
Em Palmeiras, no ano 1920, enfrentou uma invasão de 40 homens a cavalo, armados, com objetivo de matar todos os missionários por divergências criadas entre proprietários e missionários pela demarcação de terras. O padre Diretor foi morto e Madre Marta, com admirável tato, conseguiu evitar uma chacina. Em 1924, foi transferia para o Registro do Araguaia (Araguaiana), dedicando a ação educativa aos jovens e à população. Fundou uma nova obra Salesiana e, em 1932, assumiu a direção do Asilo Santa Rita, em Cuiabá. Pela sua dedicação, experiência e virtudes, foi condecorada pela família cuiabana. Em 1938 foi nomeada Inspetora da Província Salesiana em Mato Grosso, quando passaram a chamá-la Madre Marta. Partindo dessa nova responsabilidade deveria visitar e acompanhar todas as casas da inspetoria, sem contar com nenhuma estrada e condução. Seguia por trilhos para carros-de-bois, simples pistas ou linhas telegráficas, geralmente no dorso de burros e, vez por outra, em um caminhão Ford que carregava sal para toda a região mato-grossense. Concluiu o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora de Campo Grande. Aceitou abrir novas frente de trabalho, inclusive, fora do território mato-grossense, em Lins e Tupã, no Estado de São Paulo.
Em suas viagens, pousava em meio a florestas, em praias de rios, em ranchos ou casas abandonadas. Numa dessas noites, em Xavantina, é acometida de uma terrível crise de vesícula, que conseguiu superar com cirurgia.
Em 1948, já com o recurso do avião teco-teco, em visita às missões, juntamente com o Padre Guido Barra, o avião cai entre o Meruri e o Sangradouro as 17:40 horas de 16 de agosto, causando graves ferimentos, dores e sofrimentos à Madre Marta.
Em 1949, volta à Itália a fim de fazer cirurgia plástica no rosto que havia sido deformado com o acidente. Neste ano é nomeada Conselheira Inspetorial de Portugal, retornando ao Brasil em 1950.
Foi condecorada com: Medalha de Ouro e Honra ao Mérito, Medalha da Ordem do Cruzeiro do Sul, Estrela da Ordem da Solidariedade da Itália, Medalha de Prata de Bons Serviços.
Faleceu em 17-09-75 em Campo Grande.
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